PAULO AFONSO– Antes do comunicado que estremeceu a política local, do mais novo apoio à reeleição do presidente Lula pelo deputado estadual eleito Neto Coelho (PDT), houve um telefone importante. Era o governador reeleito Jerônimo (PT) em chamada de vídeo.
Depois que o celular já havia passado pelas mãos dos quatro deputados eleitos pela legenda de Neto, chegou a vez dele. Olhos nos olhos:
-Parabéns pela vitória governador!
Disse Neto, nervoso.
-Obrigado, ouvi falar muito de você pela Bahia…
Retribui Jerônimo com camaradagem.
Todos ouviram as últimas palavras que foram de cooperação mútua.
Houve, no dia anterior à ligação, um café da manhã com os deputados e Neto estava entre os convidados, porém não foi.
No miúdo é o seguinte: se Neto Coelho for pela cabeça dos bolsonaristas, terá mandato nanico sem penetração na máquina estadual, dependendo exclusivamente de arranjos federais, no caso de vitória de Flávio Bolsonaro (PL).
O deputado não quer perder espaço para a concorrência. “Eu vou trabalhar forte, não fiz uma campanha dessas para ficar sem ação no estado”, disse ele, durante almoço na Vila Matias. Fale-se a verdade: o governador quer tanto quando ele, e, sendo assim, está arranjado.
O entorno de Neto
Incomoda a falta de foco nas questões regionais do pessoal que anda com Neto. Ficam o tempo todo alimentando a rivalidade entre ele e o prefeito Galinho (PSD). A essa altura, é preciso pensar numa atuação que traga benfeitorias aos municípios, Paulo Afonso em particular, a fim de recuperar o sonho de ser grande, de novo, e não em como vencer uma eleição que será disputada daqui a dois anos.