O discurso oficial tenta vender o “Moto Paulo Afonso” como um motor de desenvolvimento econômico, mas, na prática, o que se vê é um cenário bem diferente e preocupante.
Enquanto se anuncia uma injeção milionária na economia local, grande parte desse dinheiro sequer permanece na cidade. Cachês exorbitantes pagos a artistas de fora, estruturas de palco contratadas de empresas externas e serviços terceirizados acabam drenando recursos públicos para outros centros. O resultado é claro: em vez de fortalecer o comércio e os prestadores de serviço locais, o evento promove uma verdadeira fuga de capital.
Os empresários da cidade, que deveriam ser os principais beneficiados, ficam à margem. Pequenos fornecedores, técnicos locais, produtores culturais e comerciantes não são integrados de forma efetiva à cadeia do evento. Assim, perde-se a oportunidade de gerar renda sustentável e de estimular o crescimento interno.
Além disso, a repetição constante desse tipo de festa levanta um alerta ainda maior: o impacto nas contas públicas. Investimentos elevados em eventos pontuais, sem retorno estrutural comprovado, contribuem para um desequilíbrio fiscal progressivo. Recursos que poderiam ser destinados à saúde, educação, infraestrutura e geração de emprego acabam sendo consumidos por iniciativas de curto prazo e alto custo.
Ainda assim, é importante reconhecer que eventos como o “Moto Paulo Afonso” têm potencial para favorecer o município, desde que sejam bem geridos. A adoção de uma política de contratação mais equilibrada, com artistas de cachês mais acessíveis, aliada à valorização e inclusão de empresas e profissionais locais, pode transformar o evento em um verdadeiro instrumento de desenvolvimento. Quando o dinheiro circula dentro da própria cidade, o impacto positivo deixa de ser discurso e passa a ser realidade.
No fim das contas, o que se apresenta como investimento pode, na verdade, representar um gasto oneroso e pouco eficiente, mas, com planejamento e responsabilidade, poderia se tornar uma oportunidade concreta de crescimento para Paulo Afonso.
Por Jr Padão