PAULO AFONSO- Confesso, antes de mais nada, que certas afirmações são muito sensíveis, porém, dado o último berro das urnas, findada a eleição de domingo, não resta mais nada, além da evidência crua dos números.
Qualquer outro candidato a deputado federal, com a mesmíssima estrutura que teve Luiza de Deus (Avante), teria tido o mesmo desempenho. Ainda que passasse a viver em Paulo Afonso dois meses antes da campanha.
Dito de outra forma, o legado de três décadas de Luiz de Deus à frente do município, rendeu, sem a estrutura costumeira, 3.500 votos. Não dá sequer para sonhar com prefeitura. Mesmo para o Legislativo, é pouco.

Uma comparação rápida: em 2022, a vereadora Evinha (Solidariedade), disputando o mesmo cargo, obteve pouco mais de 7 mil votos, quando partiu para renovar o mandato, não conseguiu apurar 1 mil votos, dada a forte concorrência e à dinâmica que envolve uma eleição municipal.
Marconi Daniel (PT) encostou na casa dos 9 mil votos em 2022, e cravou o quarto lugar na disputa para prefeito. Em razão da falta de estrutura, de grupo e do apoio do PT à sua campanha.
Marconi só sobreviverá como candidato a prefeito plausível se tiver, de forma explicita e incontestável, o apoio do governador reeleito Jerônimo Rodrigues (PT), à semelhança do que ocorreu com Andrei da Caixa (MDB), em Juazeiro. Como diz o matuto, Jerônimo precisa colocar o candidato debaixo do braço.
Alguém acredita que isso vá ocorrer?
Como de praxe, vai aparecer um franco atirador. Mas a minha proposta é analisar o que as urnas sopraram, e, com base nisso, temos desde agora uma polarização entre dois bichos, digo, políticos: o Galo (PSD) e o Coelho (PDT).

Faltava pouco para encerrar a eleição, quando, de cima do trio elétrico, em vez de brindar a vitória, o deputado recém-eleito, desafiou o prefeito: “Em terra de Coelho, Galo não manda!”, algo mais ou menos nessa linha, de rinha. Absolutamente desnecessário. Mas, ao gosto do freguês, do eleitor que opta justamente por esse tipo de mentalidade.
Bastidores
Uma linha do grupo de Neto, defende que, o candidato a prefeito seja o vereador Jailson (Progressistas). É a mesma coisa que acender o fogo com lenha verde. Vai fumaçar muito, e só. E olhe lá, ao menos a mim, Jailson já disse que não tem esse desejo.
– Ivone, eu não quero.
Disse ele.
Parte dos apoiadores, no entanto, são mais sensatos, e entendem que só vai mesmo para frente se for Neto. Seja lá como for, resta claro que esses dois grupos, Neto deputado eleito, de um lado, e o prefeito Galinho do outro, polarizam a eleição próxima.
E o Galo?
Uma coisa todos devem ter em mente: não há mais a dita vantagem da máquina. Não depois do que vimos Neto Coelho fazer numa campanha para deputado estadual. A vantagem de Galinho é justamente perceber isso, e não fazer como o presidente Lula, mal comparando, que subestimou o adversário.
Galinho precisa acertar o governo e reconquistar redutos que perdeu. A intenção na prefeitura é a de não perder mais nem um dia. Por ora, ele ainda é o dono do terreiro e o único que canta.