PAULO AFONSO – Não é verdade que o Parlamento municipal enferrujou. A descontar Moreirão (PSC), suplente que assumiu a vaga após a morte do ex-vereador Antônio Alexandre, quase 50% da Casa foi renovada há quatro anos. Então não é pouca coisa.
Foi uma brisa que soprou forte, mas fugiu porque não conseguiu atravessar o paternalismo perene na política local, o clientelismo e o afã pelas benesses no prédio ao lado.
Do discurso refinado de Jean Roubert (PTB), perdido ante a incoerência de suas ações, ao jeito belicoso de Mário Galinho (SD), esfriado pela conveniência da eleição vizinha; à surdez de Edilson do Hospital (MDB); a falta de rumo de Cícero Bezerra (Progressistas), e o empenho de Moreirão em trazer o que vai no Brasil, esquecendo que o esquema é municipal, do mais do mesmo de Zé de Abel e Leco, ficou na fatura final a sensação que a renovação precisa aprofundar mais.
Isto não implica de forma alguma, em menosprezar o trabalho desses legisladores. Há neles, guardadas as personalidades, empenho, trabalho e contribuição em muitas frentes, mas é forçoso admitir que não houve empenho pessoal em garantir o desejo do povo que os elegeu, e mesmo Mário Galinho, querendo deixar o Parlamento, com apenas um mandato não deixa de dar razão a esse achado popular: farinha pouca, meu pirão primeiro.
Então a farinha no Parlamento é difícil. Exige do político muita habilidade, renúncia e entendimento do coletivo.
Quando o que se sobrepõe é um projeto de poder particular, ainda que tinindo de novo na Câmara, percorre-se o mesmo atalho da velha política, cujo resultado também não pode ser diferente.
Por isso que, embora muito renovada no processo eleitoral passado, os jovens se recusam a votar no Parlamento que aí está, excetuando o que já se sabe.
Se terão força para mudar a conjuntura presente, ainda não dá para afirmar, dada a primeira eleição sem coligação para o Parlamento, e por isso mesmo, tendente a manter quem já sabe os caminhos das pedras. Eles estão tentando dentro das possibilidades que têm.