PAULO AFONSO – Na noite de ontem um postulante a vereador, conversou comigo reservadamente. O rapaz disse que se consumia em dúvidas. Estava entre Mário Galinho do Solidariedade e Anilton Bastos, do Podemos, ambos pré-candidatos a prefeito.
No caso de Anilton, o 4º mandato, e de Mário, o 1º. Perguntei ao jovem se as outras opções não seriam viáveis?, “Não tenho certeza quanto a essa candidatura de Raimundo [que sempre apoiei] e sou oposição aos deuses, ok, não vou disputar a eleição pensando em angariar uma boquinha, eu quero é uma vaga na Câmara para colocar meus projetos na sociedade, não vou entrar na política para me vender”, respondeu-me.
Nota à margem: afirmar que Luiz de Deus (PSD) atrai mais pré-candidatos é apenas lógico. Sigamos.
Com tanta energia ideológica, perguntei ao rapaz, então, qual é o problema em apoiar de braços abertos a pré-candidatura de Galinho? “Às vezes não sinto firmeza no posicionamento de Galinho. Eu quero alguém crítico, eu admiro muito o trabalho dele, mas há coisas ali que é apenas para aparecer, entende?”
Quanto a Anilton?, “sempre fui oposição a ele, e aos deuses, qual é a diferença?”
Eis que esse diálogo mostra o quanto está sendo complicado para quem vai embarcar nas próximas eleições para disputar uma vaga na Câmara, e tem em mente algo além de se dar bem na vida.
É preciso aqui separar o joio do trigo, muitos pré-candidatos vão entrar no meio pela primeira vez e são pessoas engajadas, que trazem uma história de lutas, de doação e voluntariado, e infelizmente, à porta de fazer a filiação partidária [prazo acaba dia 04] se veem sem um representante que lhes assegure a empreitada dentro da expectativa. E há, naturalmente, àqueles que querem participar da festa só para garantir uma boquinha.
Em todos os partidos esses perfis estão presentes.
O percalço maior, nota-se, foi a erosão que achatou o crescimento de partidos alternativos ao esquema vigente [isso também vale para as legendas de esquerda] surgidos após a vitória de Bolsonaro. Em vez de crescer, infelizmente, essas legendas minguaram.
Saindo da rota do PT [que sofre do apoio para todos, a despeito de bandeiras], qual partido de esquerda existe com pureza na alma?, por assim dizer, que não tenha sido cooptado para um dos lados do poder?
Notadamente restam as opções de sempre. E com a mesmice dificilmente se logrará resultado diferente.
Por isso cumpre aos partidos segurar não somente o maior número de apoio possível, mas o melhor do mercado.