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Paulo Afonso-BA, 11 de maio de 2026

ELEIÇÕES 2020: “Encontramos resistência porque a sociedade não vê utilidade na Câmara” diz Mácio Omena

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PAULO AFONSO – O secretário administrativo Mácio Omena (Solidariedade) está entre os mais de 280 postulantes ao cargo de vereador nas eleições de novembro próximo. Reconhece que o número recorde de candidatos resulta da crise econômica e, em consequência, da falta de oportunidades para desenvolver uma carreira fora do ambiente político, e do emprego de compadrio, por assim dizer.

“Paulo Afonso é um polo de desemprego, e muita gente vê na Câmara uma oportunidade, há pessoas preparadas e um contingente grande de despreparados”, observa Mácio.

“Eu decidi entrar porque, em primeiro lugar, é um sonho. Já fui cabo eleitoral, já marchei com muitos desses que estão aí, posso citar Raimundo Caires (Progressistas) fizemos duas campanhas juntos, 2012 foi a última que eu participei, depois bastante decepcionado não quis mais. Passei um período triste porque temos um grupo há trinta anos no poder, né, então vem aquele desânimo de achar que não tem mais jeito desse grupo sair. Eu sempre me opus a esse grupo, quem me conhece sabe, eu não concordo com o modus operandi desses governos, temos aí o candidato indo à reeleição e o outro que tenta o 4º mandato, ao meu ver é tudo a mesma coisa. Não acredito nessas falsas brigas, pode haver disputa interna, mas o modo de governar é o mesmo porque um é fruto do outro”, opinou Omena sobre a cisão no grupo dos deuses que colocou Luiz de Deus (PSD) contra Anilton (Podemos).

Entrevista com Mácio Omena ao Painel, hoje à tarde.

Omena disse ainda que se não fosse o apoio da família desistiria, mas a força para ele tentar chegou na hora certa. Evangélico, Mácio diz que o seguimento religioso também anseia por mudança.

“Eu não vou dizer que é um sentimento geral, porque tem gente com cargo, tem vínculo com o município e a gente sabe muito bem como o governo funciona quando nessas condições, alguém se apresenta para algo novo, porque temos ainda a política do cabresto; mas há muitos pastores que falam em “testar um novo modelo”, que reconhecem que o momento agora é de mudança, de um modelo diferente de gestão.

O senhor tem experiência, sabe das limitações de um vereador, mas em campanha se promete de tudo. Qual será sua diferença?

Eu sou uma pessoa que acredita no diálogo, converso muito com vários grupos políticos de Paulo Afonso, inclusive os que estão no poder – alguns são meus amigos-, mas eu farei um mandato buscando recursos para a cidade, isso a gente pode trazer, fazer alianças com deputados, projetos de lei específicos e estar ao lado do prefeito e do vice para ajudar. Eu não posso pensar que um parlamentar não pode fazer nada. O exemplo é Mário Galinho (Solidariedade), pode até ter pontos que eu discordei, mas somando tudo, ele fez um bom mandato, e poderia ter sido melhor, mas reconheço que ele fez um grande trabalho, tanto é que está aí, bem votado, e o partido em nível estadual tem muita atenção a ele, já recebeu prêmios, é objeto de modelo de mandato para vereadores em nível nacional, ele é quem evita explorar mais esses pontos positivos.

Por que ninguém se importa mais com o que acontece na Câmara, há uma razão além da pandemia que afastou o público de lá?

Ivone, essa legislatura oscila muito para baixo desde o início do governo. Vemos os vereadores sendo subservientes, existe até aquela frase famosa “quem está comigo tem tudo, quem não está não tem nada”, então é muito atrelamento e falta de compromisso desses vereadores com a população, eles ficam focados somente na gestão e deixaram os interesses da sociedade. Mas eu reconheço que a Covid contribuiu para piorar o que já não vinha bom, ficando a Câmara praticamente parada, enquanto cidadão é a sensação que eu tenho.

Essa paralisia não deixa de ser boa para quem já está no poder, o problema é para vocês.

A gente encontra essa resistência na rua. A sociedade pauloafonsina está decepcionada com a Câmara Municipal, encontramos muita resistência; gente dizendo que não vai sair de casa para votar etc e tal., então estamos tendo um trabalho para reconstruir um diálogo com a sociedade. Funciona assim: geralmente quando vamos fazer uma visita em determinado bairro, se você gastava x horas, agora você gasta y, porque estamos tentando quebrar esse paradigma das pessoas desacreditarem da Câmara. A nossa classe [de candidatos] tem que se reinventar, e os que estão aí vão ter que se reinventar duas vezes para poder reconquistar um eleitorado bem hostil ao desempenho deles e não vai ser fácil.

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