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Paulo Afonso-BA, 11 de maio de 2026

Sociedade pauloafonsina precisa cobrar mais clareza na investigação dos 4 feminicídios que chocaram a população. Ou por outra: não se pode naturalizar esse crime

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PAULO AFONSO – Jardim Bahia, noite do dia 18 de fevereiro de 2020. Arlete Sandra Freire, de 43 anos, foi assassinada com um tiro de arma de fogo na cabeça, segundo testemunhas, após uma discussão com o marido.

O crime encerrou dois anos do registro de feminicídio em Paulo Afonso e abriu um precedente temeroso para as mulheres. Na esteira dele, mais 3 aconteceram sem que os autores tenham sido presos, e mais: no último caso, a soma de provas ignoradas imediatamente pela polícia de que se tratasse de um feminicídio é simplesmente inacreditável.

No dia 10 de novembro, Cíntia Maria da Silva, foi encontrada morta no quintal de casa, no bairro Moxotó-Bahia. Havia poucos dias, um jovem se matou, atirando-se da ponte metálica.

Porque o corpo de Cíntia foi encontrado com o pescoço  envolto por uma corda, imediatamente, a mídia fez um alvoroço de que a moça teria se matado. A versão não foi, em seguida, desmentida pela polícia.

Foi preciso que houvesse uma verdadeira batalha da família, para que hoje, em vez de suicídio, a polícia sustente que, sim, ela foi asfixiada. Portanto, trata-se de um feminicídio e o ex-companheiro é o acusado de cometer o crime.

A reportagem da RBN foi ao local e mostrou a cena do crime, com sangue, e afirmou que a jovem tinha marcas de violência sexual. Uma versão já apurada pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher.

A morte com a presença da família

“Eu quero liberdade, me deixa em paz”, foram as últimas palavras de Rosane Carla da Silva de 34 anos, ao ex-companheiro, antes de ser cruelmente assassinada na frente da família, na mandrugada do dia 1º de junho, na Rua Pedro Álvares Cabral, centro de Paulo Afonso. O acusado, ex-namorado, a matou e saiu caminhando pelas ruas. Até hoje continua foragido.

Não deu tempo fugir

Maria José de 39 anos, estava com as malas prontas para fugir, se abrigar e tentar livrar a vida de carrasco em São Paulo. Não deu tempo. No dia 06 de setembro, ao voltar para casa, cedinho, pois precisou dormir fora do lar  com receio dele. A saber um criminoso que a polícia suspeita, tenha recebi ajuda para se manter longe das grades.

Por volta das 6h, ela entrou em casa, assustada.

Foi sacrificada.

Maria deixou 3 filhos pequenos. As demais vítimas também deixaram filhos. E até aqui, a sociedade está simplesmente ignorando as evidências de que a violência contra a mulher escapa de qualquer controle.

Durante a campanha eleitoral o tema nunca foi abordado como central por nenhum candidato a prefeito. No máximo lateralmente. Na Câmara Municipal, o assunto é solenemente ignorado. É como se essas mulheres não pudessem nunca ser a nossa mulher, a nossa mãe, a nossa filha ou a nossa irmã. É uma ilusão.

O assalto a nossa paz está bem estabelecido. Nenhuma mulher está plenamente segura quando uma sociedade, e por conseguinte, seus representantes, órgãos de defesa, Justiça etc., ignoram fatos terríveis como esses.

Cada vítima de feminicídio leva um pouco de nós.

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