PAULO AFONSO – Diferente do ocorreu há dois anos, com a CPI da Saúde, morta semana passada, a que pretende investigar a venda de terrenos no município, sugerida pelo vereador Jean Roubert (PSD) e abraçada pelos colegas de oposição, terá maiores percalços – se é que isto é possível.
Em primeiro lugar, na CPI da Saúde, o governo passou meses dormindo de toca, sem ter os alertas necessários para evitar as cinco [que se tornaram sete] assinaturas conseguidas pela oposição. Com apenas três votos, para ter a maioria simples, a oposição vai precisar articular uma traição na casa do governo. Eis a pergunta: quais dos 12 governistas seriam suas traíras?
Além disso, vale destacar: Zé de Abel (Podemos) atual presidente da Câmara, é muito mais governo do que foi Pedro Macário (União), à época em que recebeu o requerimento de abertura para a instauração da CPI da Saúde. Dito de outra forma: ao primeiro sinal do governo, Zé fecha-se em copas e não receberá nada.
É indiscutível [e às vezes inacreditável] o alinhamento de Zé de Abel com o governo, acima de tudo e de todos. Basta observar como foram escolhidos os membros da CPI da Saúde.
Portanto, é praticamente impossível que a dita CPI dos terrenos, justificável que seja e, diga-se de passagem: com as assinaturas necessárias, encontre guarida na Mesa Diretora.