PAULO AFONSO– Há três anos sem poder, o ex-vereador Mário Galinho (PSDB) só se manteve competitivo por duas verdades incontestes: a primeira é a de que perdera a eleição por burrice, ao se enxergar autossuficiente; e a segunda, em consequência de um governo de resultado opróbrio, no qual não foi possível surgir um político em condições de ofuscá-lo, com seu enorme capital político de 22 mil votos, tendentes a número bem mais expressivo no próximo ano. Assim, até o presente momento, indicam as pesquisas.
Contudo, o Galo sofre as consequências difíceis de ser político sem mandato. O jovem só mantém a dianteira por razões que fogem totalmente ao seu controle. Não teve competitividade no campo da oposição que lhe eclipsasse – até agora; e Luiz de Deus (PSD) ainda que levasse um governo decente, chegou ao fim de ciclo sem herdeiro político.
Luiz de Deus só tem Anilton (MDB) – três vezes prefeito -, e, seguindo em paralelo, dentro do grupo, uma candidatura natimorta de Marcondes (PSD) – caso o prefeito interino continue à sombra do Progressistas, e ele, como se vê, não tem outra opção. Esse conjunto de ópera favoreceu Galinho.
Sigamos no ponto: Evinha (Solidariedade), Jean (PSD), Marconi Daniel (PV), Galinho e o próprio Anilton, querem experimentar o fel de viver sem mandato, no caso desses dois últimos, continuar sem mandato? Todos são pré-candidatos a prefeito, porém, como já é sabido, só vingará a candidatura que combinar antes com a realidade, e esta não depende deles. Mas da conjuntura.
O risco iminente é de perda de prestígio, poder e pior: apagão político como o que ocorreu a políticos como Daniel Luiz e Ângelo Carvalho, para ficar apenas em dois exemplos. Além de um sem-número de pessoas que ficarão desempregadas que, hoje, trabalham diretamente para esses pré-candidatos.
Há também má-formação política. É impressionante como desprezam o Poder Legislativo, uma vez lá, querem logo o Executivo, como se fosse ruim, ou demérito continuar como vereador.
A saber, um vereador pode ser de mais valia para um município do que, propriamente um prefeito, vai depender sempre da capacidade de articulação e inteligência política. Um bom exemplo é a própria Evinha. Ela já fez mais pelo empreendedorismo seja feminino ou não do que qualquer governo municipal.
Há ainda a falta de imaginação que atinge em geral: ah, mas Galinho tentou já no primeiro mandato…, Sim, é verdade, e sofre até hoje porque não conseguiu, e terá apenas essa chance em razão de tudo o que já foi exposto. Não é compreensível porque todos devem sofrer as mesmas consequências.
Sublinho: a candidatura a prefeito pode ser sonho, desejo, desaforo, implicância ou burrice, mas precisa combinar antes com a realidade.