PAULO AFONSO– A prefeitura perdeu, dia muito, a capacidade de liquidez. Paga uma nota hoje de um contrato e ficam três dentro. Escolhe a dedo qual fornecedor tirar da forca, não paga horas extras, férias nem pensar. Contudo, mantém intacto os salários dos prefeitos, o maior do Brasil: 34 mil reais. E, claro, os gordos contratos das consultorias.
O efeito cascata da barafunda já é sentido por toda sociedade. Vai desde o servidor que precisa levar papel higiênico de casa para ir ao banheiro nos órgãos públicos da prefeitura; ao cliente do Restaurante Popular – dias a fio comendo ovo-, à falta de insumos básicos nas unidades hospitalares; de transporte na área rural para levar estudantes, de água em comunidades como o Tigre, e, por último, o comércio já sabe que, com o novo decreto, já estão antecipadas as desculpas formais para não investir mais nenhum centavo em decoração das festas do final de ano.
Embora, o decreto preveja uma tal de “representação oficial do poder Executivo”, onde pode caber qualquer coisa. Inclusive as festas.
Em miúdos, o contingenciamento arrocha mais o servidor assalariado e tem caráter inédito em termos de arrocho e rearranjo de contas de qualquer gestão já tocada pelo grupo de Luiz de Deus (PSD), do qual, o prefeito interino, Marcondes (PSD), faz parte. Contudo, à medida que permanecem os contratos que somam milhões com determinadas consultorias, tem efeito inócuo.
Tudo isso é despejado num cenário de incertezas sobre a manutenção deste governo tampão ou, enfim, o retorno do prefeito agora licenciado, Luiz de Deus, auxiliado por Anilton (MDB).
Hoje foi mais um dia de muitos boatos acerca desse retorno que teria a missão de deixar a prefeitura acima da linha da água. Porque, resta provado, Marcondes não conseguiu evitar o naufrágio.
Veja detalhes do decreto:
