PAULO AFONSO- É possível resumir meia hora de conversa com o professor Manfrede Fonseca, secretário de Educação, assim: a estatística vai ajudar a vencer a separação que atravessa a educação pública pauloafonsina oferecendo as melhores condições para quem mais precisa.

Um dos instrumentos criados para acabar com a desigualdade entre as escolas é o Aprova PA, sistema que avalia e recompõe o ensino baseado em dados do governo federal divulgados trimestralmente. “Nós formamos os professores e orientamos sobre essas áreas (geometria e estatística) que estavam em baixa, com a consequente queda nas avaliações”, explica Emerson dos Santos, coordenador do Aprova.
A política de acolhimento
Baseado nos dados colhidos pelo Aprova PA – que mapea as escolas através dos índices de evasão, frequência e aprovação, entre outros, foi possível medir o impacto do desjejum, ainda sob a gestão de Ércio Chaves, que oferta aos alunos um café da manhã antes da primeira aula.

Ou por outra: é preciso acabar com qualquer tipo de segregação em razão das condições socioeconômicas das crianças, dando-lhes merenda de boa qualidade e mais, escolas com ar-condicionado e professores capacitados.
“Veja (o coordenador apresenta o gráfico na TV), as escolas mais pobres foram as que mais cresceram. Paulo Afonso vai crescer em média 15% em todas as séries nos índices do governo, desse percentual, metade será porque reprovamos menos, e a outra metade, porque ensinamos melhor”, prevê Emerson.
O município tem 16 mil alunos e um orçamento anual de 220 milhões.
Manfrede não quis adiantar os números, mas o clima na pasta já é de celebração: “Já sabemos que todos os índices que envolvem a Educação estarão para mais. Mostrando que todo esforço, toda dedicação e compromisso têm tido sucesso.”

Mais matemática
“Fizemos vários estudos e foi com muita calma, com olhar humano. Primeiramente, todos os professores do 2º ano têm perfil alfabetizador, então ele sabe o que está fazendo. Todos os professores de matemática e português estiveram em formação de acordo com a BNCC- Base Nacional Comum Curricular –, além do desjejum e o kit escolar, do kit escolar especial, que é inédito, fardamento, moletons e uniformes para a educação física. Criamos um contexto e aumentamos uma aula a mais de matemática. Isso terá um impacto enorme quando o aluno sair das séries iniciais para as finais, entrando no ensino médio”, elenca o secretário.
As questões políticas
Um índice ruim na pasta de Educação ou um vídeo viralizado nas redes sociais de adolescentes da área rural sem transporte para ir às escolas do estado, volta e meia, se transformam em dor de cabeça e num desgaste de proporções enormes para o governo, com uso político imediato.
No caso primeiro, há de se esperar que o governo Galinho seja avaliado pela sua própria lavra, o que vai acontecer nas próximas amostragens dos governos do estado e federal. Mas no segundo quesito, não é possível tergiversar. O problema persiste.
“São nove ônibus escolares e duas vans.”
“A partir do momento em que os donos do transporte entregam as notas são 30 dias para pagar. O que acontece? Em alguns casos essas pessoas não conseguem manter o serviço por conta própria, então eles mandam áudios para a população dizendo que pararam por falta de pagamento- todos os pagamentos do transporte estão em dias.
Acontece também que, precisando cumprir exigências que aparecem durante o ano, do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), a gente solicita documentos e alguns se recusam a fornecer dizendo que não estavam no processo licitatório; ocorre que quando a exigência vem do TCM nós temos que exigir, como podemos ter o pagamento liberado pelo financeiro com pendências de documentação?”
A expectativa
A celebração com os todos os profissionais de Educação está à espera da divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). “Nós já temos os dados prévios, mas vamos esperar o oficial”, encerra Manfrede cheio de entusiasmo.
Calaboraram para essa reportagem: Deyse Rodrigues- Coordenadora da Alfabetização e Ascom/PMPA