PAULO AFONSO– Moisés Faraj e seus companheiros do Podcast Ilha News, Rômulo Lisboa e Gil Leal, colocaram, na noite desta sexta (01/dez), o prefeito em exercício Marcondes Francisco (PSD) nas cordas.
A denúncia de que havia – até o horário em que o programa foi ao ar – um funcionário locado no gabinete do vice-prefeito, mas que nunca pisara os pés por lá, fez o governo tremer as pernas a tal ponto que, antes mesmo de o programa acabar, Marcondes havia assinado a exoneração do funcionário.
Não havia escapatória, durante todo o dia antes de o podcast ir ao ar, o assunto foi minunciosamente averiguado e, como resta provado, o funcionário estava, como se diz, fichado.
Funcionário fantasma no gabinete do vice, eis a denúncia: “Se mostrarem as folhas de ponto assinadas nós vamos comprovar a fraude, porque o menino estava no Paraguai esse tempo todo”, disse o advogado Rômulo, sobre o estudante de medicina que, em que pese ser funcionário da prefeitura, mora há três anos no Paraguai.
O rapaz está matriculado numa universidade de medicina da Cidade do Leste. De acordo com o podcast, foram 4 meses de apuração e averiguação dos fatos, para só então a denúncia vir a público.
O 1º nocaute
A prefeitura foi desmoralizada pelo Ilha News, há poucos dias, quando o programa comprovou denúncias da superlotação na pousada que recebe pacientes do Tratamento Fora de Domicílio –TFD – em Salvador. Entre as gravações de áudios e vídeos que vieram à tona, aparece uma mulher constrangida porque precisou se alojar no quarto dos homens, no qual já estavam 16 pessoas.
Além do senhor José – morador da área rural-, que precisou dormir na calçada porque não providenciaram outro local. O programa denunciou a falta de organização da Secretaria de Saúde no envio dos pacientes, e, numa tentativa de confundir a população, a prefeitura defendeu a pousada como excelente programa de apoio aos doentes. Contudo, em nenhum momento o programa fez insinuações contrárias a isto.
Sem ter como se defender, a gestão colocou uma pedra no assunto. Mas a pancada serviu de alerta. Daí por que, quando Moisés ameaçou mostrar prints e imagens do estudante no Paraguai, não titubearam, exoneraram o estudante de medicina na hora e mantiveram o silêncio gritante de quem tem muito a explicar.
“O telefone está aqui aberto para que liguem para mim”, desafiou Moisés. Ninguém ligou. A oposição, idem.
“Isso é um escândalo e nós precisamos saber o que fará o Parlamento. Nós queremos ouvir o posicionamento de vocês, eu estou dando o benefício da dúvida, onde está a classe políticaɁ”, questiona Moisés.
“Nós tivemos o cuidado de manter em sigilo o nome do funcionário”, diz Moisés, e prossegue: “Mas a exoneração é uma prova cabal. ”
Exposto pela gestão, em questão de minutos, a internet foi inundada por memes com imagem do, agora, ex-funcionário da prefeitura que estava muito bem obrigada, estudando no Paraguai.
Nunca antes na história de Paulo Afonso se viu tão explicitamente quão danoso e injusto é para a sociedade a política de compadrio.