PAULO AFONSO- Apesar de ter sido muito celebrada pela oposição, o trabalho de campo para minar a gestão de Marcondes (PSD) no ano eleitoral, dando-lhe apenas 30% de margem para manobrar o Orçamento, foi feito mesmo pelos vereadores Pedro Macário (União) e Zé de Abel (Podemos) – este presidente do Legislativo.
Os vereadores, que estão no grupo dos bloqueados, ficaram calados sobre o governo, sem queixas em público, mas nos bastidores cozinhavam o galo, como se diz.
Na última segunda (11/nov), ambos, já alinhados com a base insatisfeita, não disseram nenhuma palavra porque não era mais necessário. O show pirotécnico ficou a cargo da oposição, que soube saborear o arrocho.
Não deu outra, por 10X5, os vereadores aprovaram a emenda modificativa proposta pelo vereador Jean Roubert (PSD), encurtando a margem do Orçamento.
Ao contrário do que aconteceu com Keko do Benone (Avante), praticamente expulso do governo, restando-lhe chorar nos ombros de Luiz de Deus (PSD), com esses, dificilmente Marcondes mexe. Em outras palavras: ninguém será demitido.
Em primeiro lugar, porque com 10 votos, formando os dois terços, o Legislativo derruba até avião, imagine um governo tampão, e, para que Luiz de Deus permaneça distante da prefeitura convém não mexer com Macário.
Macário não é apenas um amigo, é o político da mais absoluta confiança do prefeito e, nele, ninguém mexe num fio de cabelo.
Quando o líder governista procurou apoio viu que a causa estava no vinagre. O recado foi bem explícito para as intenções do governo tampão: não vacile mais.
Findada a mais longa sessão do ano, um assessor telefonou e me fez a seguinte pergunta: “Você faz ideia do que são dez votos?”, eu comecei a enfileirar o que seria possível fazer, ele me interrompeu: “não preciso lhe dizer mais nada.”