PAULO AFONSO- É preciso convir que começar um pleito partindo com uma caminhada consensual é tarefa quase impossível, dados os interesses que permeiam cada ator político envolvido. Contudo, o grupo do deputado federal Bacelar (PV) não poderia ser mais confuso a essa altura do jogo. Talvez, só mesmo o Progressistas consiga pareá-lo.
A foto que ilustra o texto, curiosamente, nasceu de uma ideia: testar as forças das lideranças do deputado, a saber: Anilton Bastos (MDB) e os vereadores Marconi Daniel (PV) e Evinha (Solidariedade) para decidir entre eles qual seria o pré-candidato a prefeito.
Tudo feito ignorando uma obviedade cristalina: a eleição, dia muito, vem polarizada e, portanto, uma terceira via nascida na oposição só teria como função se tornar uma escada para Marcondes (PSD), candidato governista.
Dois dias depois foi um deus-nos-acuda para tornar o intento sem efeito. Ademais, o eleitor de Paulo Afonso, resta provado, não enxerga Anilton como político de oposição ao grupo de Luiz de Deus (PSD). Tanto é assim, que, agora tudo foi normalizado.
Nota à margem: Evinha prefeita não é sobre ela
Numa eleição é preciso ter noções de sociologia e antropologia. A vereadora Evinha tem tanto ou mais capacidade de gerir o município de Paulo Afonso se comparada a Marcondes ou Mário Galinho (PSDB), o problema reside na cultura do eleitor médio que não elegeria agora uma mulher. Não há amadurecimento político para esse alcance. Não à toa, o município passou duas eleições consecutivas sem eleger uma única mulher para a Câmara.
O caminho para tornar uma candidatura feminina crível é o mesmo trilhado por Ena Vilma (Progressistas) em Glória. Perdeu duas eleições para, no terceiro pleito consecutivo, ser levada ao poder e de lá, como se sabe, não ter saído mais. Dito de outra forma: é preciso um grande investimento econômico e político na pessoa de Evinha para que ela se mantenha, com ou sem mandato, uma opção clara para a evolução administrativa do município.
Marconi Daniel segue sendo o pré-candidato de si mesmo
Esta semana, Daniel negou que vá sair pré-candidato a prefeito pelo PT. De acordo com o que ele afirmou a esta jornalista, continua sendo o candidato do seu grupo. Em outras palavras, de Bacelar.
Uma pergunta se impõe: por que Daniel sendo o pré-candidato do grupo, ninguém, nem mesmo Bacelar diz isso abertamente: parafraseando a internet, por que ele não o assume?, diga-se de passagem, nem Bacelar, nem qualquer outro político do grupo.
Ao contrário, lideranças importantes de Bacelar são vistas com Mário Galinho, e quando não estão nesse lado da polarização, estão no outro: com Marcondes, é caso de Bero do Jardim Bahia (PSB) e, como eu já afirmei, Anilton.
A única dúvida ainda recai sobre Evinha que não declarou apoio a nenhuma dessas pré-candidaturas.
Diante de tantos b.os, seguem informando os emissários, Bacelar liberou seus correligionários para que sigam o que melhor lhes convir.