PAULO AFONSO- Fala-se muito sobre o prefeito Galinho (PSD). A primeira reputação, atribuída a ele, é de que se trata de um líder autoritário, centralizador e desconfiado de tudo a sua volta. Por esses motivos, o prefeito traria o governo em rédeas curtas, proibindo, inclusive, o livre acesso da imprensa aos secretários.
Galinho emergiu do beco, dialogando com estratos da população que, até bem pouco tempo, nunca tinham sido ouvidos.
Aos poucos, com o fracasso da final da gestão de Luiz de Deus (saudosa memória), o então candidato foi se deslocando, avançando as esquinas e, em pouquíssimo tempo, já tomava às feiras e praças; pulou para as calçadas, entrou comércio adentro; área rural; lares e, com a assombrosa adesão, valendo-se da inacreditável inabilidade política de Marcondes (Progressistas), conquistou o Parlamento, a precisos 9 meses do pleito.
Pela primeira vez na história de Paulo Afonso, estava sendo estabelecida uma agenda política com um personagem que, diferente do ex-prefeito Zé Ivaldo – cuja geração estava embalada pela redemocratização e era, sobretudo, acadêmica, estudantil-, tampouco se assemelhava à boa safra de prefeitos vindos depois, que tinham o serviço prestado à Chesf como referência, e aqui é preciso incluir Raimundo Caires; surge por isso mesmo um candidato de igual para igual com o povo mais simples: sem o glamour de Zé, sem sobrenome famoso, e nenhum voluntarismo.
Galinho foi visto como “um de nós”. Daí é compreensível, em partes, que não haja distanciamento entre povo e prefeito. Dito de outra forma: você não se inibe diante de alguém de quem você se julga íntimo.
As cobranças justas e os ataques de populares muito frequentes ao prefeito, são motivados por ele ter quebrado as promessas de campanha: de não demitir em massa e da sua apatia total, de irresponsabilidade mesmo, ao demitir dezenas de profissionais de saúde e fragilizar mais ainda uma população esquecida pelos demais entes federados. Resta provado que os oito meses de Galinho são tenebrosos neste quesito.
Tudo somado, trata-se de um começo destrambelhado. Com foco em ações secundárias como a promoção de festas a torto e a direito, regadas com fartos contratos que consomem boa parte do gasto público.
Nada disso, porém, justifica o nível deflagrado de ira, ódio e irracionalidade que toma conta de algumas pessoas, que até bem pouco tempo estavam alheias ao embate político. Atitudes essas que estão correlacionadas e estendidas aos vereadores da base do governo.
“Vagabundo”, “Sem-vergonha”, “Bandido”, “Bandida”, “Pilantra” “ladrão” etc. etc., estão na boca e nos comentários espalhados nas redes sociais, e o resultado, não raro é a tensão generalizada que, há dois dias, culminou em mais uma retirada (pelas forças de segurança) de duas pessoas de uma sessão da Câmara Municipal.
Errou Zé e Abel (PSD), pela intolerância, e errou quem não permitiu que a sessão acontecesse dentro da mínima normalidade. A soma de dois erros não produz um acerto.
A oposição se vale da tensão, dos gritos, dos xingamentos aos adversários, inflama o quanto pode e, não se dá conta do quanto isto é contraproducente. Intolerância e agressividade não somarão para eleger o lado minoritário.
Mas o contrário: posição coerente, objetividade, denúncia com comprovação e ação concomitante nos órgãos de fiscalização do erário, reação às circunstâncias adversas criadas pela incompetência da gestão e muito diálogo nos meios de comunicação e redes sociais dos caminhos possíveis que ainda podem ser traçados. A oposição existe para apresentar a alternativa.
Há, visivelmente, muita gente com dano psicológico que busca justiçamento, algo completamente diferente de justiça social. São pessoas que precisam ser acolhidas na sua dor e orientadas a fim de não cometerem exageros como os que já foram presenciados.
O engajamento político explicito é saudável e necessário, e pode perfeitamente ser realizado dentro da mínima regra de respeito e, fé no tempo, amigo dos justos.
Foto: Folha Sertaneja.