PAULO AFONSO- Deixe em paz meu coração/, que ele é um pote até aqui de mágoa/, e qualquer desatenção/, faca não/, pode ser a gota d’água …
Eu poderia começar esse texto com um leed e encerrar o assunto. Mas sou escritora e mais que isso: testemunha muito próxima da história. Já citei Chico Buarque, então, para que a pressa?
Era 20 de julho de 2024, e o então candidato a prefeito de Paulo Afonso, Mário Galinho (PSD), ora confundia-se com o Batman, ora com o Superman. Ou por outra: era o homem de aço, com direito aos óculos embaçados de lágrimas e a bandeira do município grudada em seu corpo circular – a bem da verdade, era um super-homem sem a famosa cueca vermelha por cima da calça-, mas àquela altura dava para o gasto.

O que importava aos pobres diabos (onde me incluo) naquele calor desumano, já com sede e fome, era ouvir o anúncio, guardado a todas as chaves, que, uma vez dito, mudaria o destino de um povo.
Eis que, da cortina, surge, reluzente, Robson Pet, então pré-candidato a prefeito que, para o bem de todos, renunciara ao seu desejo de concorrer, para somar na campanha do Galo. Todos os tambores e toda sorte de instrumentos que produziam som, foram postos a toda, a máxima velocidade para o enlouquecimento geral.
Robson, aturdido com a recepção, como se fora o Cândido encarnado, discursou, e só não chorou com as suas lindas e proféticas palavras, aquele ou aquela que leva uma pedra no peito, no lugar do coração. Eu chorei que solucei.
Devo interromper a narrativa, como direi, épica, para introduzir algo coloquial, relatado a mim por uma candidata a vereadora que, ao lado da mãe, testemunhava tudo:
-Que diabo de choradeira é essa?!
A velha, que foi à convenção de maus bofes, reclamava porque não estava entendendo bulhufas!
-O rapaz mãe! Vamos ouvir.
Responde a filha tentando animar.
-Homi, eu quero é ir embora e você que não me invente outra dessa!
Reage a velha fulminante.
Eu ia dizendo que Robson foi recebido como herói de guerra e, vale o registro: se empenhou muito na campanha e, com certeza ajudou a eleger o governo com o que pôde.
Hoje, com a mesma honestidade, ou por outra: mostrando que de fato tem caráter, o rapaz deixou o emprego e alegou que, esse ambiente no qual está inserida a gestão de Galinho lhe faz mal.
“Esta decisão, embora formalizada de modo amigável, e motivada por uma profunda reflexão sobre o atual cenário administrativo […] acredito que todo trabalho deve ser pautado com respeito mútuo e na valorização de quem executa as funções com dedicação, condições que, no momento, não encontro mais nesse ambiente”, diz um trecho da carta de demissão de Robson.
Fim.