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Paulo Afonso-BA, 30 de julho de 2026

Espólio político de Luiz de Deus à deriva

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ytrad

PAULO AFONSO- Se há uma preocupação em famílias que se moldam oligárquicas diz respeito à sucessão do poder. Nesse particular, um político não poderia ter sido menos precavido do que Luiz de Deus.

Antes que o leitor se incomode e cite Paulo de Deus, esclareço: me refiro a um filho, como manda a tradição oligárquica. Um homem com a trajetória política de Luiz de Deus, 40 anos de vida pública sem que lhe caísse um único processo por suposta malversação de recursos públicos, é incompreensível até, como não forjou seu herdeiro ou herdeira política.

Talvez porque esse filho tenha sido afetivo, dirá outro leitor, com quem eu devo concordar. Nesse caso foram dois inaptos: Luiz e Anilton. Ambos falharam na transição.

Vamos logo encurtar a prosa: o sangue sempre fala mais alto, um dia aconteceria de um herdeiro legítimo reivindicar espaço, logo, a cisão havida em 2017, após o segundo mandato de Luiz, se daria em qualquer outro tempo.

Partamos para o arremate desse ponto a fim de adiantar o assunto porque devo escrever muito e, aproveito para lhes pedir paciência. O fato é que Luiz de Deus foi um homem do seu tempo, tempo de exclusão quase que total da participação da mulher como agente política.

De imediato ele recusou-se a verticalizar o poder, elegendo a esposa, D. Didi, e depois, ignorou por completo a força das meninas. Restaram os meninos, cujo carisma, por incrível semelhança com ele, recai todo sobre o médico Lulinha.

Eis o ponto: Lulinha recusa-se. Sempre recusou a oferta. Se política fosse merecimento ou capacidade (ainda estou dentro do sistema oligárquico), Luiza de Deus (Avante), apta e querendo, teria resolvido a parada, estando como vereadora, já há algum tempo.

Nota à margem: Um pouco de sociologia.

Antes de chegarmos ao miolo do problema convém observar: o eleitor pauloafonsino não está amadurecido a esse nível de escolher uma mulher para prefeita. Ela pode vir revestida de diamantes, não está.

Basta dizer que, até Evinha (Solidariedade) ser eleita para a Câmara em 2020, o Parlamento estava há dez anos com a eleição apenas de Irmã Leda (PSDB). E ninguém via nesse fato qualquer problema.

Daí ser possível em pouco tempo a eleição de uma mulher, que nunca teve mandato, para prefeita, é muita coisa.

De volta ao espólio

Tudo isso posto à mesa da família Deus, o espólio político de Luiz encontrou uma curva de rio, responsável pelo declínio da empreitada, que foram os dois anos de Marcondes Francisco – o prefeito das algarobas.

Impressiona até hoje, como Marcondes pôs tudo no vinagre. Se fechou em copas, leia-se: até mesmo de quem ele herdara a prefeitura, e foi, já abatido, para uma derrota acachapante ante Galinho (PSD).

Um jovem com senso de oportunidade, caricato, panfletário e incendiário, que se lançou de forma lancinante, arregimentando um monte de gente tonta, oportunista, sem perspectiva, desempregada; mais também de pessoas de saco cheio de oligarquia, talentosa, sonhadora, sem nada a perder; gente lisa e gente endinheirada, formando uma massa arrebatadora que, no dia 6 de outubro daquele ano (2024), com uma eleição apoteótica, lhe deu 11 mil votos de sobra.

Ivone, volte minha filha e termine esse texto.

Sim, enfim, Luiza X Mateus.

Eles correm em paralelo. Em termos de família não é nada bom, naturalmente, cria-se um ambiente de rivalidade dentro do seio. Os netos enxergaram que toda essa conjuntura jogou contra eles.

Mateus porque Lulinha não quer a vida pública -e, repito, na família Deus, é aquele que encontra a pista livre com muita aceitação tanto do eleitor, como de empresários, da classe medica etc. etc. E tenta, quer pelo pai, quer por ele mesmo, manter esse núcleo vivo.

E Luiza, pré-candidata a deputada federal, inteligente e super preparada, encontra os percalços da falta de atenção do avô em tempo hábil, da rejeição até ao nome do pai, Luiz Humberto- o melhor administrador que o BTN teve;da falta de recursos suficientes dentro de um sistema de campanha milionário etc. etc.

Daí por que o espólio político do maior homem público desse município correr sérios riscos de ficar na lembrança e, para muitos, na saudade.

 

Fotos Painel/Redes Sociais.

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